Van Gogh

A história de uma mulher que gosta de ler a correspondência alheia e que através das cartas escritas por Van Gogh ao irmão vai ficar conquistada por esse pintor e ser humano tão especial…

Escrito por Rita Vilela
Ilustrações de Vasco Gargalo
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Galileu

Quem foi o homem que percebeu que não era o Sol que girava em torno da Terra, mas sim o contrário?
A sua vida não foi nada fácil... Era preciso virar as cabeças de pernas para o ar!!! E parecia que nada do que dizia fazia sentido...
Uma família, a braços com uma situação complicada, está, ao mesmo tempo, a tentar perceber quem era este homem. Tudo resulta na perfeição!
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Escrito por Margarida Fonseca Santos
Ilustrações de Vasco Gargalo

Pasteur

De cada vez que pegamos num pacote de leite e lemos a palavra "pasteurizado" estamos a prestar homenagem a este homem.
De carácter persistente e disciplinado, deu à Humanidade uma grande ajuda com o seu método de pasteurização, mas isso é só o início de tudo o que fez...
Um jovem jornalista recebe uma missão - entrevistar Pasteur. A sua vida ganha então um significado diferente...
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Escrito por Margarida Fonseca Santos
Ilustrações de Vasco Gargalo

Mozart

A história de 3 irmãos gémeos que ganham uma viagem a Lisboa para assistir a uma Ópera de Mozart e acabam por aprender algo muito importante com a vida desse músico genial que gostava de se divertir.
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Escrito por Rita Vilela
Ilustrações de Vasco Gargalo
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Marie Curie

Marie Curie sacrificou a sua própria vida para fazer com que a ciência e a medicina dessem um salto de gigante. É a ela que devemos a radioterapia, por exemplo...
Uma polaca que sonhava estudar mais e se desloca para França para cumprir o seu sonho. A primeira mulher a receber um Prémio Nobel! E não se ficou por aí...!
Um grupo de jovens, passeando por França, mergulha na vida desta mulher e descobre algumas particularidades interessantes...
Nada como ouvir contar quem com ela conviveu e viveu!
Escrito por Margarida Fonseca Santos
Ilustrações de Vasco Gargalo
Ver excerto do livro

Testa os teus conhecimentos II

Aqui fica um teste de conhecimentos para descobrirem o que já conhecem destas figuras marcantes da história da humanidade.

Identifica o génio certo para cada questão, associando a cada número a letra certa:
1 - Quem é que durante algum tempo trabalhou como vigilante de cavalos dos nobres?
2 - Quem é que realizou sozinho o parto de um dos seus filhos?
3 - Quem é que chegou a ser descrito como possuidor de poderes sobrenaturais?
4 - Quem é que teve três filhos mas só reconheceu o único que era rapaz?
5 - Quem é que foi declarado morto à nascença e acabou por ser reanimado pelo fumo do charuto do médico ?
6 - Quem é que, em criança, para compensar a solidão, criou um mundo de fantasia?

a) Mozart
b) Socrates
c) Shakespeare
d) Galileu
e) Gandhi
f) Picasso

Queres fazer outro teste? É aqui.

Solução: ler a nova série de Génios do Mundo ou 1c; 2e; 3b; 4d; 5f; 6a

Testa os teus conhecimentos

Testa os teus conhecimentos sobre as grandes figuras da humanidade. Identifica o génio certo para cada questão.

1 - Quem é que viveu entre os mineiros pobres para os evangelizar?
2 - Quem foi a 1.ª pessoa a receber dois prémios Nobel?
3 - Quem é que, em criança, tinha a cabeça muito grande?
4 - Quem é que tinha um nome que significa campo de beterrabas?
5 - Quem é que escrevia em código, da direita para a esquerda?
6 - Quem é que se apaixonou pela filha do reitor?

a) Pasteur
b) Marie Curie
c) Leonardo Da Vinci
d) Einstein
e) Van Gogh
f) Beethoven

Solução: ler os Génios do Mundo ou 1e;2b;3d;4f;5c;6a

Outros passatempos, carrega aqui.

Vídeos do génios

Há um trailer oficial sobre a colecção génios do mundo. Para ver carregar aqui.

E também há duas versões feitas por mim, Rita Vilela:

A coleçcão

A colecção Génios do Mundo é um exclusivo Modelo e Continente

Editado por 0 a 8

Ilustrações de Vasco Gargalo

Einstein - excerto do livro

CENA 14 – Interior / Sala jantar casa dos Einstein
À roda da mesa estão os pais, Einstein (16 anos) e a irmã. O ambiente é tenso. Comem em silêncio durante algum tempo. Percebe-se que a mãe e o pai trocam olhares entre si. Einstein e Maja fazem o mesmo, espiando-os.
O pai pousa os talheres. Fala com um tom pausado, escondendo mal a irritação.
HERMANN – Devias ter acabado os estudos no Gymnasium. Foi isso que ficou acordado. Em que é que pensaste para te meteres assim a caminho?!
EINSTEIN – Eu não queria estar lá sozinho, pai.
HERMANN – Qual era o problema? Sempre tiveste boas notas, sempre foste um dos melhores da turma! Era uma questão de tempo. Agora, saíres da escola com um atestado a dizer que estás perturbado…?!
PAULINE – Hermann, calma…
EINSTEIN – Não podia ficar lá.
MAJA – (num tom brincalhão) Eu prefiro tê-lo cá!
HERMANN – (seco) Disparate! Era importante acabar os estudos, será que não entendes isso, Albert?
EINSTEIN – Eu vou candidatar-me ao ETH. Se entrar, começo já a estudar para ter um curso…
HERMANN – Ao Instituto Politécnico?! Tu ainda não tens idade para entrar!
EINSTEIN – Não faz mal. Eu consigo.
PAULINE – Deixa-o tentar, Hermann.
HERMANN – Mas isto é tudo um disparate! Como é que este miúdo vai entrar se todos os outros têm mais dois anos que ele?!
MAJA – (sorrindo) Eu não tenho dúvidas de que ele é capaz, pai! Vai ser facílimo!
Pauline faz sinal ao marido para que se mantenha calmo.
EINSTEIN – Ainda há outra coisa…
Os outros três olham para Einstein.
EINSTEIN – Quero abandonar a cidadania alemã. Não vou entrar no serviço militar.
O pai levanta-se da mesa, sem saber como lidar com a questão. A mãe olha para Maja e faz-lhe sinal para que os deixe a sós. Maja sai.
A mãe agarra na mão de Einstein. Sorri ao de leve.
PAULINE – Vamos lá a saber: como é que vai ser isto? Pelos vistos, pensaste em tudo.
EINSTEIN – Sim, mãe. E vou conseguir.
Música, enquanto a câmara afasta o plano, vendo-se a conversa de longe.
VOZ OFF – Einstein não é admitido no ETH, o Instituto Politécnico Federal em Zurique, na Suíça. Embora as notas a Matemática e Ciências sejam extraordinárias, as das outras disciplinas ficam aquém do pretendido. Vai então estudar para Aarau, na Suíça, ficando hospedado em casa de um dos seus professores.

CENA 15 – Interior / Quarto de Einstein em Aarau
Einstein (17 anos) está estendido em cima da cama. Escreve qualquer coisa num bloco. Rasga a folha e começa uma nova.
EINSTEIN – (enquanto escreve) Os meus projectos futuros… Um homem feliz está demasiado contente com o presente para pensar muito sobre o futuro. Por outro lado, os jovens gostam de se ocupar de planos banais. Além do mais, é natural que um jovem sério tenha uma ideia tão exacta quanto possível sobre os objectivos a alcançar. (pausa) Se tiver a sorte de passar nos próximos exames, irei para o ETH, em Zurique. Ficarei lá quatro anos para estudar matemática e física. Penso tornar-me professor naqueles ramos das ciências naturais, escolhendo a parte teórica. (pausa) Eis as razões que me levaram a este projecto. Acima de tudo, é a predisposição para o pensamento matemático abstracto, falta de imaginação e de habilidade prática. Os meus desejos também me inspiram a mesma resolução. Isto é muito natural. Há também uma certa independência na profissão científica de que gosto muito.

Van Gogh - excerto do livros

Fran abriu a porta para Ana entrar. A vizinha trazia nas mãos um envelope grande, que despertou logo o interesse da dona da casa.
– O que trazes aí? – questionou Fran, antes de lhe dar tempo para se sentar.
– Trago-te um presente.
– Um presente?
– Sim, um conjunto de cartas.
– Cartas?
– Sim, cartas privadas que foram escritas por um homem a um grupo de pessoas, especialmente ao irmão.
– Mas que interesse é que podem ter as cartas, se eu não conheço o autor?
– Conheces, conheces! Não pessoalmente, claro, mas conheces!
– Explica lá melhor.
– Imagina que tinhas a hipótese de ler as cartas privadas de uma pessoa famosa, muito famosa.
– Daquelas pessoas que vêm nas revistas?
– Muito, muito mais importante do que isso.
– Estou a ficar curiosa. Mostra lá as cartas – pediu.
– Espera, tem calma, deixa-me criar suspense. Vou fazer uma introdução à pessoa em causa, para ver se tu descobres quem é. Ou melhor, tu fazes perguntas e eu respondo sim ou não.
– Homem?
– Sim.
– Loiro ou moreno?
– Nenhum dos dois. Era ruivo e tinha barba.
– Era, dizes tu… portanto já morreu. Era Casado?
– Onde é que pensas chegar com essas perguntas? Não, não era. Teve uns casos, mas nenhum o levou ao altar.
– Cientista?
– Não, nada disso.
– Artista?
– Muito bem!
– Foi rico e famoso, ou só famoso?
– Nem uma coisa nem outra, enquanto foi vivo teve sempre dificuldades financeiras e ninguém falava dele.
– Tinha alguma deficiência? – questionou Fran, lembrando-se do olho de Camões.
– Sim, a partir de certa altura ficou com um bocado a menos.
– Que bocado?
– Só sim ou não – disse Ana, relembrando-lhe as regras.
– Era escritor?
– Não sei o que te responda. Ele escrevia imenso, tinha uma necessidade enorme de escrever e até escrevia bem. Mas não. Não é como escritor que ele é conhecido.
– Bolas! Então não é quem eu estava a pensar. Era pintor?
– Sim.
– Onde é que nasceu?
– Nem penses! Só vale fazer perguntas de sim ou não.
– Era português?
– Não, era holandês.
“Tanta coisa com o cumprimento das regras e depois responde o que quer”, pensou Fran.
– Ele viveu nos nossos dias?
– Não, foi no século XIX. Nasceu em 1853.
– Pintor holandês, ruivo, do século XIX? – Fran não tinha ideia nenhuma. – Acaba com isso e diz lá de quem são as cartas.
– Vincent Van Gogh. Conheces?

Picasso - excerto do livro

Quando me mostraram as águas-furtadas onde iria viver durante aquele período, fiquei maravilhada. Era uma residência de estudantes e os alunos de pintura e escultura estavam todos alojados no último piso, pois os quartos eram maiores e tinham mais luz por causa das clarabóias que existiam no telhado. Os quartos funcionavam como estúdios e estas características ajudavam muito.
Logo nesse momento achei que estava a iniciar um período mágico da minha vida, mas não poderia supor quão mágico…!
Era tudo novo: as ruas, a língua, que falava com alguma dificuldade, a comida, as pessoas… No primeiro pequeno-almoço, tomado na residência, conheci dois colegas de curso: Marianne, francesa do Sul, e Peter, um inglês muito louro e muito introvertido. Fomos juntos para a primeira aula, numa solidariedade assustada.
Não consigo relembrar exactamente o que se passou nesse dia, tenho ideia de que me atordoou. Mas tudo se apagou quando me sentei diante do cavalete. Teríamos de ir pintando uma tela em paralelo às produzidas nas aulas, e eu via aquela imensidão branca à minha frente e sentia-me igualmente em branco. O que poderia eu pintar?
– Espantou-te?!
Dei um salto com o susto e desequilibrei-me. Não estava mais ninguém no quarto, mas eu tinha a certeza de ter ouvido uma frase.
– Espantou-te terem aceite a tua candidatura? Mas vives em que mundo?
Fiquei sem acção. Do nada surgira a figura de um homem que me era familiar, demasiado familiar… Vestido com uma long sleeve às riscas, meio careca, cabelo já grisalho, muito curto, com um olhar vivo e profundo.
– Fiz-te uma pergunta – insistiu, enquanto remexia nos trabalhos que trouxera comigo para Paris. – Já percebi que me vais dar trabalho.
– Quem é o senhor?
– Trata-me por tu, Teresa, não tenho paciência para formalismos. Não sabes quem eu sou?
Eu ia responder que não, mas eu sabia quem ele era. O único problema é que também sabia que ele morrera em 1973 e, como estávamos em 2007, seria bastante estranho responder o que quer que fosse.
– Devo avisar-te que, nesta condição em que me encontro, oiço quase tudo o que pensas, o que vai ser bastante aborrecido, calculo. Mas sim, sou Pablo Picasso. E sim, morri há uns anitos. Coisas que acontecem.
“Coisas que acontecem”, repeti para mim mesma… Ele mantinha-se a folhear os meus desenhos, os esboços.
– Tens dezasseis anos, certo? E chamas-te Teresa, não é? Que engraçado! Uma das minhas paixões chamava-se Marie-Thérèse… Era pouco mais velha do que tu quando a conheci… Mas isso agora não interessa. Espantou-te terem aceite a tua candidatura? – repetiu, agora já sem qualquer intenção de me provocar.
– Sim… e não.
– Queres explicar-te? Ou leio directamente do teu cérebro? É mais inteligente verbalizar o que pensas, e não me dás tanto trabalho.
– A pintura é tudo para mim – disse eu, estranhando ser capaz de dizer uma coisa tão forte como aquela.
– Então, estás no bom caminho. O teu trabalho é excelente. O teu caminho é a pintura. O problema reside nessa tua cabeça desarrumada. Tanto pensas que estás a fazer algo muito bom como pensas que, se calhar, não vales nada…
– É isso mesmo – concordei.
– Quanto à dúvida que está a atrapalhar a nossa conversa, devo dizer-te que adoro esta minha condição de fantasma, ou o que lhe quiseres chamar.
Eu não comentei, estava muito confusa.

Beethoven - Excerto do livro

No intervalo, Joana, Mariana e Pedro entreolhavam-se. Em relação à música a professora falara nos três Bs: Bach, Beethoven e Brahms e pedira-lhes que escolhessem um deles. Joana adiantara-se, visto ser a que percebia mais do assunto, e achara que Beethoven seria uma óptima escolha. Pedro discordava…
– Bonito serviço… Por causa de ti saiu-nos o surdo!
– Credo, Pedro! – cortou Mariana. – Que maneira de falar!
– Já viste o que nós temos pela frente? Falar sobre Beethoven… Ele ficou surdo cedíssimo e tinha um mau feitio diabólico!
– Acredita, Pedro, Beethoven foi um grande músico e um compositor inovador – esclareceu Joana. – Quando começares a estudar a obra dele vais mudar de ideias. – Pedro não parecia convencido. – Precisamos de dividir tarefas, pode ser? Quem é que fica com a parte da infância?
– Posso ficar eu – disse Mariana. – Acho graça saber como eram os génios em pequenos…
– E tu, Pedro? Queres ficar com o quê?
– Com nada! Acho tudo isto um disparate! Ainda para mais, quando se apresentar o trabalho, vai estar toda a escola a ouvir. Já pensaram?! Uma parvoíce! – Olhando para as duas colegas e percebendo que fora longe de mais, Pedro mudou o tom de voz. – Fico com o que quiserem… Tanto me faz…
– Então faz um levantamento das obras que Beethoven compôs – pediu Joana. – Podes fotocopiar uma lista para nós termos, sempre à mão, o inventário de tudo o que ele escreveu.
– Excelente – ironizou Pedro.
– Eu vou tentar perceber que importância teve a obra de Beethoven na história da música.
Estava assim distribuído o trabalho. A campainha, que dava por findo o intervalo grande, levou-os de volta à sala de aula. As duas raparigas pareciam entusiasmadas com o trabalho, Pedro ficou de mau humor o resto do dia.
Joana estudava violoncelo numa academia de música e achou que podia começar logo a sua pesquisa, falando com o professor de Formação Musical. Ao acabar a aula, foi ter com ele. Era o seu professor preferido e, para sorte dela, adorava falar sobre as histórias da música…
– Vão falar sobre Beethoven?
– Sim. Fui eu que escolhi.
– Excelente escolha! Beethoven foi um compositor genial. Deixou obras importantíssimas. Tu deves conhecer algumas: a 9.ª Sinfonia, que tem o Hino à Alegria, a 5.ª Sinfonia, as sonatas para piano…
– Escreveu muitas, professor?
– Trinta e duas, imagina! E escreveu quartetos, para quatro instrumentos de corda, trios, enfim… Uma obra notável.
– Eu acho que vai ser muito interessante trabalhar a vida e a obra de Beethoven…

Mozart - excerto do livro

– Dou um prémio a quem adivinhar o nome desta música – disse, começando a tocar.
Assim que as primeiras notas se fizeram ouvir os três gritaram ao mesmo tempo.
– Rainha da noite. É a ária da rainha da noite.
– Muito bem – disse o homem, impressionado. – Mas, para receberem o prémio em triplicado, têm de responder a mais duas perguntas.
– Dispara! – incentivou André.
– Quem é o autor da música?
– Mozart – gritaram todos ao mesmo tempo.
– Na realidade viemos agora do espectáculo a Flauta Mágica, por isso foi fácil – confessou Daniela.
– Então vamos escolher algo um pouco mais difícil. Quem foi Mozart?
– Um menino-prodígio da música – avançou Mariana.
– Alguém que aprendeu, sem esforço, a tocar e a compor – respondeu André.
– E teve um pai excelente que também o ajudou, não foi? – prosseguiu Daniela, aproveitando os conhecimentos recém-adquiridos.
– Sempre as mesmas respostas – criticou o homem do violino, elevando a voz.
Perante esta atitude, Daniela encolheu-se, Mariana aguardou, na expectativa, e André endireitou-se na cadeira para poder defender melhor as irmãs, em caso de necessidade. O homem reparou nas reacções deles e deu uma gargalhada.
– Mil desculpas, não é nada convosco! É que me faz impressão que a imagem que circula sobre Mozart seja muitas vezes tão limitada.
O homem do violino ficou por uns instantes a reflectir e depois recomeçou.
– Vocês assistiram agora à Flauta Mágica, não foi? De que fala essa história?
– Fala de enganos… – começou Daniela.
– De coisas que parecem uma coisa e são outra – acrescentou a irmã.
– Fala de pessoas que tentam ficar com os louros por coisas que não fizeram – completou André.
– Excelente! É isso mesmo. O que acontece é que também na vida de Mozart há muitas coisas que não são bem o que parecem. E as respostas que vocês deram à minha pergunta, sobre quem foi Mozart, contêm três enganos. A propósito, o meu nome é Mário.
Os gémeos apresentaram-se, dizendo os respectivos nomes.
– Comecemos pela frase que tu disseste, Mariana, sobre ele ser um menino-prodígio.
– E não é? – atacaram os três.
– Calma, calma, três contra um não é justo! É verdade que Mozart foi um menino-prodígio, desde criança que era muito talentoso e tinha uma memória extraordinária, mas a questão é que essa não é a parte mais importante

Leonardo Da Vinci - excerto do livro

– Eu tenho razão, não achas, avô? É que fazer as coisas bem feitas demora o seu tempo… – disse Leonor, num tom suplicante. O avô era o único adulto com quem conseguia falar abertamente, o único que a compreendia.
– Vou-te contar a história de um homem, muito conhecido, que também tinha o mesmo problema que tu, apesar de já ser adulto, apesar de ter um enorme talento, apesar de ser um génio. O seu nome era Leonardo, Leonardo da Vinci.
– Já ouvi falar dele. Era um pintor italiano, não era?
– Era mais que isso. Mas sim, ele era italiano, nascido na pequena cidade de Vinci, ou numa aldeola lá perto, em 15 de Abril de 1452, perto da cidade de Florença, que na época era o centro artístico e intelectual de Itália.
– Abril... 15 de Abril... então era Carneiro.
– Se ele era esse bicho, isso eu não sei, Leonor!
– Não é o animal bicho, avô, é o signo!
– Eu sei, estava só a brincar contigo, querida, mas de signos eu, de facto, percebo pouco. Carneiro ou não, sei é que ele tinha imenso talento para o desenho e para a pintura e uma inteligência notável. Terá provavelmente sido o Carneiro mais inteligente de todos os tempos.
– Não gozes, avô!
– Mas apesar disso, tanto quanto sabemos, Da Vinci produziu relativamente poucas obras. Parece que, até aos nossos dias, chegaram menos de vinte pinturas e olha que foram mais de quarenta anos ligado à arte. Mas, por outro lado, entre essas obras está o quadro mais célebre de todos os tempos, a Mona Lisa, e estão outros trabalhos verdadeiramente notáveis.
– Porque é que são tão poucos?
– Há quem diga que muitos dos seus trabalhos se podem ter perdido, mas a explicação mais natural tem a ver com o facto de a maior parte das suas obras ter demorado vários anos a executar. Entre o momento em que foram iniciadas e o momento em que foram concluídas passava muito tempo, por vezes, mesmo muitos anos.
– A sério?
– E sabes que, na sua época, isso nem sempre era bem compreendido. Conta-se que as pessoas comentavam a imensa lentidão dele em acabar os trabalhos: a visão geral era que, se houvesse uma competição para o pintor mais lento, Da Vinci teria facilmente ganho o primeiro prémio. Parece até que o Papa Leão X o considerou “um original que nunca fará coisa alguma, porque pensa no fim antes de ter começado”...
– Que injustiça! Coitado do Da Vinci! – exclamou Leonor, indignada.
– Estou aqui a pensar, com os meus botões, que se calhar o Papa não gostava dele por ser “leão”. Os leões sempre consideraram os carneiros como animais inferiores.
– Não gozes, avô. Conta mais!

Gandhi na escola

No dia 25 de Março de 2010 fui à Escola Básica Integrada da Azambuja.
Os alunos do 6.º ano, que trabalharam sobre o livro do Gandhi, ofereceram-me um presente lindo.
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Dentro de uma pasta onde me desejavam boas vindas (à direita), havia:
Para ver do que estou a falar, carregue na imagem ou nas palavras em destaque.
Foi uma visita muito agradável, em que me senti muito bem recebida.
Parabéns à Ana Rosa, pela excelente organização.

Gandhi - excerto do livro

– Sabes quem era Mahatma Gandhi? – perguntou Luís. – Na realidade ele chamava-se Mohandas Karamchand, mas as pessoas chamavam-lhe Mahatma que significa Grande Alma.
O rapaz olhou-o como se ele estivesse a delirar. A que propósito é que vinha essa questão? E que interesse é que tinha se Gandhi se chamava “não andas escarranchado” ou “mas ata-ma”, ou lá como é que aquilo se pronunciava. Apeteceu-lhe responder “não sei, nem quero saber, estou cheio de dores”, mas calou-se.
– Falo nisso pois, uma vez, quando regressou à África do Sul, ao sair do navio que o trouxera da Índia, ele foi cercado por uma multidão em fúria.
– O que é que ele fez para merecer isso?
– Absolutamente nada. Foi acusado de duas coisas de que era inocente.
Ric reagiu, desconfiado. Ele detestava quando, em resposta a uma queixa sua, o pai lhe lembrava que havia sempre alguém pior do que ele. Mas, em breve, a história começou a interessá-lo.
Ric fechou os olhos, à medida que Luís falava, e imaginou a cena: Gandhi, de pé, cercado pela multidão ameaçadora. “Viu-o” a ser afastado do amigo que estava com ele e a ficar isolado, sozinho, rodeado de gente hostil. Imaginou-se no lugar dele, e sentiu o medo que ele deveria ter sentido e o impacto das pedras, dos ovos podres e dos pedaços de tijolo que lhe atiravam. Sentiu-se a ponto de desmaiar, como acontecera com Gandhi que se agarrara à vedação de uma casa, tentando manter-se de pé e recuperar o fôlego, enquanto eles continuavam a bater-lhe.
E depois, quando tudo parecia perdido, viu a mulher do chefe de polícia que, corajosamente, se colocou entre ele e a multidão, de sombrinha aberta, protegendo-o. Na imagem criada por Ric, aquela mulher tinha a cara da sua colega Margarida, a única rapariga da turma que ele imaginava com coragem para fazer uma coisa dessas.
Luís continuava a descrição.
– Gandhi conseguiu, com a ajuda do chefe de polícia, proteger-se na casa de uns amigos, mas na rua a multidão continuava a gritar “queremos Gandhi” e parecia disposta a invadir a casa para o apanhar.
– O que aconteceu a seguir? – questionou Ric, curioso.

Na book.it

Pois é! A colecção Génios do Mundo é de venda exclusiva no Modelo e Continente e... nas livrarias Book.it (a casa dos livros do grupo Sonae).
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E foi justamente na Book.it de Tomar que alguns génios e uma das suas autora, Rita Vilela, estiveram em sessão de autógrafos, no dia 26 de Março, às 11.00h.

Duas turmas de alunos do 8.ª ano estiveram lá, no seu último dia de aulas, a ouvir falar sobre Gandhi, Mozart, Van Gogh e Leonardo da Vinci... e de muitas outras coisas.

E houve espaço ainda para conhecer outros clientes da livraria que por lá passaram.
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E, no dia 6 de Maio, foi a vez das livrarias Book.it de Torres Novas e de Abrantes, respectivamente às 11:00 às 16:00.
(as fotos foram tiradas na Book.it de Tomar)
A sessão em Tomar apareceu na imprensa, espreite aqui.

Galileu - excerto do livro

– O que é que estás a fazer, avô?
– Credo, Filipa! Que susto!
O avô pôs a mão direita no peito, enquanto a esquerda se mantinha a orientar o telescópio para o céu. A neta riu-se, pois sabia que ele estava a fingir que se assustara.
– És tão maluco!
– Então?! Isso é forma de falar com o teu avô?
– O que é que estás a fazer?
– Bem, não estou a lavar loiça, não estou a jogar às cartas… também não me parece que esteja a tomar banho…
– Pára com isso! Diz qualquer coisa a sério!
– O que é que querias que estivesse a fazer? Estou a ver as estrelas!
– Mas tu percebes alguma coisa disso, avô…? Não achas que o tio Luís se vai zangar por estares para aí a mexer no telescópio dele?
O avô encolheu os ombros. O seu filho mais novo nunca se importaria. Além disso, a avaliar pelo pó que o instrumento tinha, ao contrário do aspecto da varanda, que estava impecavelmente cuidada, Luís não lhe mexera nos últimos meses.
Filipa obrigou o avô a sair da frente do telescópio para poder espreitar. Era impressionante o que se conseguia ver! As estrelas pareciam estar a pouco mais do que alguns quilómetros, embora ela soubesse que estavam a milhões de anos-luz de distância.
– Aquela é a Ursa Maior? – perguntou a neta.
Alberto olhou pelo telescópio e confirmou.
– É, mas para a ver não precisas disto. Vê-se à vista desarmada.
– Mas a espreitar por aqui é muito mais engraçado…! Isto tem um bocado de pó na lente, não tem? – Filipa eliminou a sujidade com a manga da camisola.
– A tua mãe não vai achar graça a isso – comentou o avô.
– Não se nota – disse a neta, sacudindo a manga enquanto observava os céus. – Isto é espectacular!
– Sabes quem inventou o telescópio? – perguntou o avô, desafiando a neta.
– Claro que sei! Foi Galileu, dei isso no ano passado. Mas não foi bem inventar, foi antes melhorar o que uns outros, que já não me lembro quem eram, já tinham inventado. Não está certo dizer que foi ele sozinho…
– Muito bem, afinal não és completamente analfabeta – brincou o avô, espicaçando Filipa, que possuía uma curiosidade fantástica por todos os ramos do conhecimento. – Valha-nos isso…!
Filipa mostrou-lhe um falso sorriso. Bem sabia que ele a estava a provocar… Voltou a inspeccionar o céu. Era uma visão extraordinária. Quando se virou de novo para o avô, tinha o sobrolho carregado.
– Por acaso, por acaso… – começou –, não sei muita coisa sobre Galileu.
– Até que enfim! Ao menos há uma coisa que não sabes!
Filipa ignorou a brincadeira.
– Estava aqui a pensar… Tenho de escrever um trabalho sobre uma personalidade importante da história mundial.
– Para a escola?
– Sim. Podia ser sobre Galileu, não era? Foi um nome importante da Astronomia e da Física, não foi? Acho que era uma boa ideia!
– Já me está a parecer que vai sobrar trabalho para mim! – queixou-se o avô, fingindo, mais uma vez, coisas que não sentia. – Lá porque eu me interessei por Galileu na minha juventude, isso não quer dizer que te vá ajudar nos trabalhinhos da escola.

Marie Curie - excerto do livro

– Tu não vais entrar aí, João… ou vais?!
Madalena estava com medo de que os dois amigos se metessem dentro daquela espécie de celeiro. Mas nem João, nem Afonso se preocuparam com isso.
– Estou a dizer-te que é aqui! – informou João. – Se a direcção está correcta, é neste sítio. Anda lá, Madalena, não sejas medricas!
Os dois rapazes já tinham aberto a porta do velho barracão. Entre ficar ali sozinha e ir com eles, Madalena escolheu segui-los. No entanto, mantinha-se desconfiada. Aquilo não era mais do que um velho anexo de uma escola desactivada.
Ao saírem de Lisboa para fazer a viagem de Inter-Rail, o que não era ainda muito habitual em 1978, não estava nos planos daquele grupo de amigos parar tanto tempo numa única cidade. Mas Paris fascinara-os de tal forma que foram ficando e conhecendo muitas coisas interessantes. A razão da visita a um barracão, que em nada se parecia com um laboratório, foi uma conversa na pousada da juventude onde estavam alojados.
Um estudante de química, polaco, no seu último dia em Paris, contara-lhes que estivera a fazer um estudo sobre a vida de Marie Curie. Falara-lhes das descobertas que esta mulher levou a cabo, dos prémios Nobel que ganhou, da importância da radiologia por ela desenvolvida, da sua personalidade forte e persistente.
O rapaz contara-lhes que Marie Curie, nascida na Polónia em 1867, tivera de sair do seu país para poder estudar. A forte opressão russa, que ali se vivia nessa altura, proibia que as mulheres estudassem para além do secundário. A universidade era só para os homens! Estas informações deixaram os três amigos curiosos e com vontade de saber mais sobre essa polaca, que viera para Paris com a intenção de estudar.
O jovem polaco deu-lhes a morada de um antigo laboratório onde Marie e o seu marido, Pierre Curie, descobriram a radioactividade. Para os três amigos, acabados de sair do secundário e com a entrada para a faculdade pela frente, aquela conversa com o estudante fora muito estimulante. Madalena e João iriam para engenharia química, Afonso para medicina. Madalena tinha pensado: como seria querer prosseguir os estudos e ser impedida de o fazer…apenas por ser rapariga?!
A vida de Marie Curie não lhes era totalmente desconhecida, e estar em Paris, com informações sobre um local tão importante para compreender a vida daquela mulher, e não aproveitar a oportunidade, seria um disparate.
– Isto parece um estábulo – resmungou Madalena. – Não deve ser aqui…
– Eu acho que é mais um armazém de batatas – brincou Afonso, começando também a desconfiar de que aquele local não poderia ser o lendário laboratório dos Curie.
Os três jovens estacaram ao entrar. Agora sim, podiam ver o que se encontrava dentro do barracão. Inexplicavelmente limpa, uma enorme mesa com vários utensílios dominava o espaço central da ampla divisão. Sem falarem uns com os outros, foram andando à volta de instrumentos, blocos, cadeiras.
Madalena sentiu um arrepio.
– Isto é muito esquisito… Parece que acabaram de trabalhar aqui ontem…
– Uuuuuu!!! – gozou João. – Há cá espíritos!
– Não sejas parvo, João. A Madalena tem razão. Está tudo arrumado, tudo organizado. Não faz sentido.